domingo, 22 de janeiro de 2012

POR QUE OBEDECER A DEUS?


Deuteronômio 10.12-21

Nesta terra, estamos sujeitos a prestar obediência a diversas pessoas e instituições que exercem autoridade sobre nós. Devemos obediência aos pais, aos patrões, aos governantes, aos magistrados (juízes), às leis que regem o País, etc.
Obedecemos porque essas pessoas ou instituições possuem autoridade e poder para não apenas nos fazer cumprir suas determinações, mas também para punir quem se insurge contra as ordens proferidas.
Normalmente, respeitamos aqueles que estão investidos de autoridade, por sua condição e também por não querermos sofrer as consequências da rebeldia.
Entretanto, quando o assunto é obedecer a Deus parece que temos mais dificuldade. Aparentemente, é mais fácil cumprir leis criadas pelos legisladores humanos do que as Leis criadas pelo Legislador Soberano.
Assim como existem motivos para cumprirmos as leis dos homens e nos sujeitarmos às autoridades humanas, há razões muito melhores para observamos fielmente os preceitos de Deus e nos sujeitarmos a Ele.
Por que devemos obedecer a Deus?

1) PORQUE ELE É DEUS
A primeira grande razão para que obedeçamos a Deus é porque Ele é Deus (Dt. 10.12 – Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus [...])?.
Deus é o criador de todas as coisas. Ele, com Sua Palavra, criou o universo, trazendo à existência coisas que não existiam. O ser humano é obra das mãos de Deus, foi criado conforme a Sua vontade para atender a finalidades que o próprio Deus estabeleceu.
Desta forma, Deus é a razão de ser de todas as coisas; tudo converge para Ele e pertence a Ele (Dt. 10.14 – “Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR, teu Deus, a terra e tudo o que nela há”).
Deus é o Senhor Soberano que criou as leis do universo e que colocou no coração humano a Sua Lei, dando-nos a noção do certo e do errado.
Nesta condição, Deus é a autoridade suprema do universo. Não há autoridade maior do que a dEle. (Dt. 10.17 – “Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno”)
E não existe autoridade humana que não tenha sido por Ele instituída (Rm 13.1 – “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”).
Bem, se devemos obediência às autoridades humanas, que dizer então em relação a Aquele que instituiu essas autoridades, e que tem o poder de destituí-las a qualquer tempo!
Podemos até enganar seres humanos investidos de autoridade, burlar leis, escapar de sanções previstas na lei, mas é impossível enganar a Deus, pois Ele vê todas as coisas, e nada está encoberto a Seus olhos (Pv. 15.3 – “Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons”).
Deus tem o poder de fazer coisas que aos nossos olhos são impossíveis. Todos os Seus feitos na história da humanidade, e particularmente de Seu povo, devem servir para que nos lembremos de quem Ele é: o Deus Todo-Poderoso.


2) PORQUE DEUS NOS AMA
Embora Deus requeira de nós uma obediência fundada em Sua autoridade Suprema e na Sua condição de Senhor absoluto de todo o universo, esta não pode ser nossa única motivação para obedecê-lo, caso contrário, surge uma relação de rei tirano e súdito subserviente.
Há outra razão muito forte para que obedeçamos a Deus: Ele nos ama (Dt. 10.15 – “Tão-somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê”).
Deus estabelece conosco uma relação diferente, através da qual Ele demonstra Seu grande amor por nós.
Quando Deus estabeleceu Seus mandamentos e determinou que os obedecêssemos, Ele não pretendia nos tratar simplesmente como súditos, mas como filhos, e Seus Mandamentos, além de refletirem Sua Santidade, têm como propósito que tenhamos vida plena na Sua Presença.
Deus almeja o nosso bem ao nos determinar que obedeçamos à Sua Lei (Dt. 10.12-13 – “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do SENHOR e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem?”).
Os Mandamentos de Deus demonstram que Ele deseja nos ensinar a viver de forma reta e íntegra, preservar nossa saúde física e espiritual, fortalecer nossa fé, trazer bênçãos sobre nós e nossas famílias, enfim, conceder-nos uma vida feliz e próspera.
Acima de tudo, Deus tenciona que cresçamos em santidade diariamente, e a obediência à Sua Palavra é um dos pilares desse crescimento.
Deus pretende que cheguemos à imagem de Cristo, o Filho que foi obediente até à morte de cruz, e que em tudo sempre glorificou ao Pai.
A maior prova do amor de Deus por nós foi o fato de Ele ter enviado Seu Único Filho, Jesus Cristo, para morrer em nosso lugar, porque, como transgressores de Sua Santa Lei, estávamos sujeitos à condenação imposta pela Lei, mas Cristo nos substituiu no cumprimento da pena, a fim de que pudéssemos ficar livres da condenação e servir a Deus sem a contaminação do pecado.
Deus nos fez Seus filhos, por meio de Jesus Cristo.
Esse amor que Deus demonstrou e demonstra por nós diariamente deve nos levar a obedecer aos Seus Mandamentos com gratidão, sabendo que tudo é para o nosso bem.

3) POR AMOR A DEUS
Além de obedecer a Deus porque Ele é Deus e porque Ele nos ama, nós devemos obedecê-lo porque O amamos (Dt. 10.12).
No relacionamento entre pais e filhos, há amor mútuo. Os pais amam os filhos e fazem o possível para que eles se tornem pessoas boas e bem sucedidas, exercendo autoridade sobre eles e impondo regras e limites. Os filhos, por sua vez, amam aos pais e esse amor os leva a se submeterem à sua autoridade, embora possam surgir conflitos.
O amor que Deus tem por nós deve encher de tal forma nosso ser, que observaremos com amor às Suas ordenanças.
Deus requer de nós que O amemos (Dt. 6.4-5 – “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”)
Observar a Lei sem amar a Deus com todo o nosso ser não é algo aproveitável. Como ensinam as Escrituras, nenhum ato tem real valor quando desprovido de amor (1 Cor 13).
Se amarmos a Deus verdadeiramente, com todas as nossas forças, reconhecendo nEle nosso Deus, Pai e Senhor, que nos ama infinitamente, inevitavelmente nos sentiremos inclinados a obedecê-lO, e seremos acometidos de consternação quando agirmos de forma contrária à Sua vontade.
Costumamos nos sentir mal ao magoarmos uma pessoa que nos ama. Com muito mais razão devemos nos sentir constrangidos se, por desobediência, entristecermos a Deus, que tem por nós um amor superior e perfeito.
A Bíblia, ao narrar a história de Israel, povo de Deus, demonstra que em muitas ocasiões houve um esfriamento do amor do povo por Deus. Isso se mostrou na desobediência reiterada aos Mandamentos do Senhor, na falta de gratidão.
Jesus foi claro ao dizer que a obediência é a prova do amor a Ele: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14.21)
Amor deve resultar em obediência. Não significa que quem ama a Deus não erra, não deixa nunca de cumprir Seus mandamentos, é perfeito em tudo. Pelo contrário, nossa natureza pecaminosa tenta nos afastar da Vontade de Deus, mas quando cometemos um ato de desobediência, fazendo o que Deus disse para não fazermos, ou deixando de fazer o que Ele ordenou que fosse feito, sentimos tristeza e nos arrependemos, como aconteceu com Davi, Pedro e outros servos de Deus.
Errar não é sinal de falta de amor. Persistir no erro sem sentir arrependimento pode ser.

4) PORQUE RESULTA EM BÊNÇÃOS PARA NÓS
A obediência a Deus resulta em benefícios diretos a nós mesmos, que somos agraciados com bênçãos que Ele tem reservado para os que o temem.
Deus promete derramar diversos tipos específicos de bênçãos sobre aqueles que obedecerem à Sua voz: fertilidade do homem e da mulher; fertilidade da terra cultivada; fertilidade dos animais criados; sustento; vitória sobre inimigos; êxito no trabalho; proteção divina; respeito perante as pessoas; equilíbrio financeiro, etc. (Dt. 28.1-14 e diversas outras passagens).
Se fizermos algo bom ou ruim, Deus não é afetado na sua condição de Deus. Ele continua sendo Deus. Ele não fica maior ou menor; Sua glória não aumenta nem diminui; Seu poder permanece o mesmo; Ele não entra em crise existencial.
O bem e o mal que fazemos vão refletir em nossas vidas e das pessoas próximas. Nós é que seremos favorecidos ou prejudicados com nossos atos, assim como as pessoas atingidas por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer (Jó 35.8 – “A tua impiedade só pode fazer o mal ao homem como tu mesmo; e a tua justiça, dar proveito ao filho do homem.”).
Assim, obedecer a Deus é algo que somente pode redundar em benefícios para nós, e nunca em malefícios. Por outro lado, a desobediência trará resultados negativos também para nós, que teremos que arcar com as consequências de nossa insubmissão.
Portanto, não perdemos nada se obedecermos a Deus, mas perdemos muito se endurecermos nosso coração e quisermos andar conforme nossa própria vontade, ignorando os preceitos do Senhor.

CONCLUSÃO
A obediência a Deus não deveria ser objeto de exortações constantes, pelo contrário, seria de se esperar que agíssemos conforme a Palavra de Deus espontaneamente, movidos pelo amor e pela gratidão, mas, como estamos sujeitos ainda à influência da carne, do mundo e do diabo, é necessário que seja trazida à nossa mente essa realidade, para que estejamos vigilantes e não haja motivo para sermos repreendidos por Deus, deixando de usufruir bênçãos que Ele tem reservado para nós.
Que o amor de Deus nos inunde de tal forma que se torne impossível deixar de obedecê-lo em todos os momentos de nossa vida.


José Vicente
22/01/2012


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